O PS/Amarante considerou hoje que a saída prematura do presidente da câmara, José Luís Gaspar (PSD/CDS), para assumir funções na Unidade Local de Saúde do Tâmega e Sousa “representa um sério desafio à governabilidade da autarquia”.
Para os socialistas, que são oposição naquele concelho, a decisão do ex-chefe do executivo “compromete a estabilidade política e administrativa do município”.
No domingo, o presidente da câmara, que cumpria o seu terceiro mandato, renunciou ao cargo, depois de ter sido designado pelo Governo, na quinta-feira, para presidir ao Conselho de Administração da Unidade Local de Saúde do Tâmega e Sousa, sediada em Penafiel. José Luís Gaspar foi substituído no cargo pelo até então vice-presidente e atual líder da concelhia do PSD, Jorge Ricardo.
Hoje, num comunicado do PS enviado à agência Lusa, lê-se que aquela força da oposição não pode deixar de expressar preocupação face às consequências desta decisão [renúncia ao mandato do presidente]”.
“Executivo sem rumo e sem coesão”, considera o PS
Os socialistas recordam que, desde a tomada de posse deste executivo, em 2021, já renunciaram ao cargo dois vereadores, “desconfigurando totalmente a equipa que se propôs liderar os destinos de Amarante”.
Agora, “com a renúncia do presidente, a instabilidade aumenta, ficando um executivo sem rumo, sem coesão e sem capacidade para garantir um futuro sólido”, considera o PS.
Sinaliza ainda que a sucessão “coloca à frente dos destinos do concelho alguém que não foi eleito para liderar a equipa e que não tem o mesmo mandato político concedido pelo voto popular”.
“Analisando a nova distribuição das responsabilidades, percebe-se agora que apenas três dos cinco elementos do executivo PSD/CDS irão assumir pelouros, colocando em causa a garantia de uma boa gestão autárquica”, reforçam os socialistas.
Refere ainda que esta renúncia não é apenas uma questão de gestão, mas “uma jogada tática” para lançar um candidato às próximas eleições autárquicas, concluindo o PS que os amarantinos “merecem mais do que estratégias políticas e movimentações de bastidores”.
Câmara PSD/CDS não comenta críticas socialistas
À agência Lusa a Câmara de Amarante não se quis pronunciar sobre as críticas do Partido Socialista.
Já o PSD local, em comunicado, assinalou que a renúncia do presidente da câmara ocorreu para poder “abraçar um novo desafio.”
“Fá-lo por uma causa que sempre lhe disse muito, seguramente a única que o faria, uma causa de extrema relevância para Amarante para a região”, a necessidade de valorização e aproveitamento do Hospital de São Gonçalo, em Amarante, lê-se no documento.
O PSD concluiu que José Luís Gaspar estará à altura de mais este “difícil e complexo serviço público”, ultrapassando “as enormes dificuldades com que vai deparar”.


