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AMARANTE: Requalificação da Alameda Teixeira de Pascoaes – PS aponta falhas ambientais e de mobilidade (C/VÍDEO)

Vereador Américo Paulo Ribeiro critica a prioridade dada pela maioria PSD/CDS a uma obra de cinco milhões de euros, sublinhando que o concelho tem carências urgentes em escolas e piscinas municipais

A aprovação, pela maioria PSD/CDS, da abertura do concurso público para a empreitada de requalificação da Alameda Teixeira de Pascoaes, em Amarante, continua a suscitar forte contestação política.

 

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Para Américo Paulo Ribeiro, no plano urbanístico e de circulação, a intervenção na Alameda Teixeira de Pascoaes levanta reservas quanto ao impacto no tráfego e no estacionamento

 

Em entrevista ao TÂMEGASOUSA.PT, o vereador do Partido Socialista (PS) Américo Paulo Ribeiro justificou o voto contra da oposição na câmara municipal de maioria PSD/CDS, apontando o dedo a lacunas no projeto que, no seu entender, ignoram as prioridades reais da população, agravam os problemas de mobilidade e estacionamento e descuram gravemente a sustentabilidade climática e ambiental da cidade.

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A futura Alameda Teixeira de Pascoaes, segundo o projeto defendido pelo maioria PSD/CDS

 

Para os socialistas, a contestação a esta intervenção — orçada em cerca de cinco milhões de euros — não traduz uma oposição estéril, mas um alerta premente para o desajuste estratégico da gestão municipal.

“O Partido Socialista votou contra esta proposta porque entende que não é uma obra para já prioritária. Há outras questões em Amarante urgentes para resolver”, sustentou Américo Paulo Ribeiro, clarificando que o foco do executivo deveria canalizar-se para infraestruturas vitais que afetam diretamente o dia a dia dos cidadãos.

 

OBRAS ESSENCIAIS ADIADAS E O IMPASSE NAS PISCINAS E ESCOLAS

 

Como exemplo do que considerou serem prioridades invertidas da coligação PSD/CDS, o autarca socialista recordou a degradação de equipamentos fundamentais no concelho, dando o exemplo da escola da sede, um equipamento que acumula mais de quarenta anos sem intervenções profundas.

Américo Paulo Ribeiro alertou, por outro lado, para o transtorno causado pela ausência de respostas na área desportiva e de lazer:

“Encontramo-nos neste momento sem piscinas municipais. É outra obra que é urgente para Amarante e para os amarantinos. E nós não podemos estar virados para outro lado, porque este ano vamos passar o verão sem as piscinas do povo estarem em funcionamento… Já estão desde fevereiro em obras ou encerradas. Portanto, na altura, o Partido Socialista já fez uma declaração de voto preocupado com esta situação e preocupado porque não estava previsto a construção ou o orçamento das piscinas municipais, embora esta coligação, já há doze anos, tenha o compromisso de construir as piscinas municipais e não o fez”.

 

MOBILIDADE URBANA E O ESTRANGULAMENTO DA RUA 31 DE JANEIRO

 

 

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FOTO: ARMINDO MENDES

 

No plano urbanístico e de circulação, a intervenção na Alameda Teixeira de Pascoaes levanta reservas quanto ao impacto no tráfego e no estacionamento.

De acordo com o projeto aprovado, a praça deixará de ter circulação automóvel e perderá os lugares de estacionamento atualmente disponíveis, uma medida que, na ótica do PS, vai colidir com o quotidiano de quem habita e trabalha na cidade.

O vereador socialista alerta que a supressão do trânsito na praça irá inevitavelmente transferir e concentrar a pressão rodoviária na Rua 31 de Janeiro, sem que o executivo tenha acautelado alternativas válidas para os residentes e comerciantes. “A mobilidade pode interferir aqui em duas questões: a questão da Rua 31 de Janeiro, que, cortando aqui o trânsito, a Rua 31 de Janeiro fica sem trânsito… Aquilo que está previsto é que esta praça deixe de ter circulação automóvel e estacionamento… E, no entanto, não está encontrada a solução ou a execução da alternativa para as pessoas da Rua 31 de Janeiro. Não se pode avançar com um projeto sem primeiro resolver a questão do trânsito”, enfatizou o vereador da oposição.

A mesma apreensão estende-se à supressão de lugares de estacionamento na zona central, incluindo na imediação do mercado municipal, que vão desaparecer, sem um plano para compensar aquelas mudanças.

“Vão retirar daqui estes estacionamentos e não há um projeto para encontrar uma solução de estacionamento aceitável”, criticou o autarca, sublinhando que a cidade possui limites físicos rígidos ditados pela sua orografia.

 

O IMPACTO CLIMÁTICO E O PERIGO DO “FORNO URBANO” NO PICO DO VERÃO

 

Outro dos eixos da contestação socialista incide nas alterações climáticas e na qualidade ambiental do espaço público. Américo Paulo Ribeiro vincou que, perante a nova realidade climática global, as cidades europeias estão a repensar os seus modelos urbanísticos, abandonando a velha fórmula de pavimentar praças inteiras com pedra.

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A futura Alameda Teixeira de Pascoaes, segundo o projeto defendido pelo maioria PSD/CDS

 

Recordando que Amarante e o centro da cidade registam temperaturas elevadas no pico do verão, o vereador alertou para o risco de a obra agravar o efeito de estufa e de ilha de calor urbana:

“Hoje, com as alterações climáticas, toda a gente já percebeu o que está a acontecer nas cidades. E a Europa já está a mudar os planos de organização de cidades. Quem frequenta Amarante, o centro da cidade, anda aqui no pico do verão e é um calor terrível. Temos duas praças já, vamos criar outra para aquecer mais aqui? […] E cada vez mais as cidades tornam-se insuportáveis no pico do verão. E nós temos de ter uma cidade adaptada para o futuro”.

 

DESLOCALIZAÇÃO DA ESTÁTUA DE TEIXEIRA DE PASCOAES E INVESTIMENTOS AVULTADOS

 

A postura crítica do PS estende-se a aspetos simbólicos e patrimoniais da intervenção, nomeadamente o destino da estátua de Teixeira de Pascoaes.

O vereador lamentou que o monumento, que atualmente ocupa uma posição de grande centralidade e visibilidade na praça, venha a ser relegado para um canto periférico, afetando a dignidade institucional da figura tutelar que dá nome à alameda.

Por fim, face aos cerca de cinco milhões de euros estimados para a empreitada e ao recurso a fundos comunitários, o Partido Socialista apela a uma reflexão profunda na Assembleia Municipal, quando a meteria for apreciada naquele órgão autárquico.

O vereador socialista conclui que, apesar de o voto formal da oposição ter sido expresso em reunião de câmara, a palavra final cabe agora aos amarantinos, defendendo que a pressão cívica e a mobilização da população poderão ainda levar o executivo a repensar o rumo e a corrigir as prioridades urbanísticas do concelho.

 

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