InícioArquivoBAIÃO: Centenárias bengalas de Gestaçô são um sucesso nas academias

BAIÃO: Centenárias bengalas de Gestaçô são um sucesso nas academias

Baião, 08 abr (Lusa) – As bengalas de Gestaçô, no concelho de Baião, têm-se revelado nos últimos anos um sucesso nas festas de milhares estudantes do Porto e Coimbra, ajudando a preservar um produto artesanal que caminhava para a extinção.
Eduardo Cardoso, um dos poucos artesãos que ainda se dedica a tempo inteiro à atividade, disse à Lusa que das oficinas desta localidade, encravada entre a serra da Aboboreira e o rio Douro, saem, todos os anos, mais de 20 mil exemplares deste tipo de bengala de madeira totalmente feito de modo artesanal.
O artesão, neto do homem que no início do século XX introduziu o ofício na localidade, garante que só o recente sucesso das bengalas de Gestaçô entre os estudantes impediu o desaparecimento deste tipo de artesanato.
“São delas que tiro o meu ordenado, uns 500 ou 600 euros por mês”, afirmou, garantindo que chega a trabalhar mais de 10 horas por dia.
As bengalas usadas pelos estudantes são feitas em lódão (arbusto colhido pelos próprios artesão nas zonas húmidas próximas do rio Douro), menos elaboradas do que as produzidas em cerejeira ou castanheiro e que dão fama à localidade.
Não se sabe ao certo como foram introduzidas, há cerca de 15 anos, as bengalas de Baião na indumentária dos estudantes, substituindo os adereços em plástico.
Da oficina de Eduardo Cardoso partem todos os anos mais de três mil bengalas para os estudantes, mas na freguesia ainda há quem produza mais de oito mil.
Hoje, porém, poucos artesãos restam em Gestaçô, mas há cerca de 50 anos era um ofício que dava emprego a dezenas de operários da freguesia.
Nessa época, várias oficinas da localidade produziam centenas de cabos de guarda-chuva, em madeira, que abasteciam as melhores fábricas do país, em S. João da Madeira, ou as bengalas de luxo vendidas nas melhores alfaiatarias ou chapelarias de Lisboa e Porto.
A importação, de outras paragens, dos punhos de guarda-chuva em plástico e o facto de as bengalas em madeira terem deixado de ser um elemento da indumentária masculina fizeram mergulhar a atividade numa crise que quase a levou à extinção.
Hoje, as tradicionais bengalas de Gestaçô, que podem chegar a custar 50 euros, já não acompanham os homens, mas são admiradas como peças de decoração.
O trabalho de Eduardo Cardoso é um misto suor e arte, percebendo-se o esforço físico nas tarefas de preparar as bengalas e o engenho de ornamentar o pau e a dobra de cada peça.
Algumas bengalas apresentam cabeças de animais saídas da imaginação de cada artesão “esculpidas” pacientemente na madeira.
O município de Baião homenageia as bengalas de Gestaçô e os seus artesãos com um centro de artes e ofícios aberto ao público na freguesia.

APM.
Lusa/fim

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