Paços de Ferreira, 31 de jan (Lusa) – O vice-presidente da Câmara de Paços de Ferreira, Paulo Sérgio Barbosa, disse hoje à Lusa que a autarquia vive uma situação financeira sufocante, com um buraco de cerca de 42 milhões de euros.
“Enfrentamos grandes dificuldades financeiras. É uma situação muito sufocante”, afirmou o autarca, referindo-se à incapacidade que a câmara tem revelado para fazer face aos encargos, sobretudo a fornecedores, alguns com dívidas de vários anos.
Paulo Sérgio Barbosa recordou que só há cerca de três meses é que o novo executivo liderado pelo PS assumiu a gestão da autarquia, após a vitória nas autárquicas de setembro, herdando um “buraco” deixando pela equipa do PSD, que governava a câmara há vários mandatos.
O valor de 42 milhões de euros de dívida que consta do orçamento para 2014 é ainda provisório, ressalvou o vice-presidente. O valor definitivo, acrescentou, será apurado na auditoria que está a decorrer e que deverá estar concluída em março.
“Só depois disso é que montaremos uma estratégia para tentar resolver o problema”, declarou.
O vereador defendeu que o município devia recorrer a mecanismos de apoio que estão a ser estudados pelo Governo.
Questionado sobre o apoio que a câmara recebeu no âmbito do PAEL (Programa de Apoio à Economia Local), Paulo Sérgio Barbosa considerou que os “pouco mais” de sete milhões de euros daquele pacote “são insuficientes”.
Para o autarca, a anterior gestão social-democrata deveria ter recorrido à primeira versão do PAEL, como defendia o PS, então na oposição, pedindo ao Governo 30 milhões de euros, um valor que os socialistas consideravam mais ajustado às necessidades do município.
Como tal não foi feito, lamentou hoje o vereador, a câmara está impedida de avançar com investimentos, nomeadamente na área do apoio à economia, para tentar ajudar a combater o problema do desemprego.
Para o vice-presidente do município, toda a prioridade atual é dada aos apoios às famílias que enfrentam grandes dificuldades devido ao desemprego que aumentou, nos últimos cinco anos, 155% no concelho, o mais elevado do Tâmega e Sousa.
“Todos os dias as pessoas nos batem à porta e não podemos ser insensíveis ao que se está a passar”, sublinhou.
APM.
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