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FELGUEIRAS/REPORTAGEM: Cortejo das Flores já não é o que era – Agostinho Barbosa

De acordo com este antigo membro do extinto Rancho de Varziela, aquilo que outrora era uma das “tradições com alto relevo” em Felgueiras hoje trata-se de “um cortejo de galhofa”

O Cortejo das Flores que se realiza anualmente por altura das Festas de S. Pedro em Felgueiras, representa as tradições de uma terra, de um povo. Na opinião de Agostinho Barbosa, o cortejo hoje conta com milhares de participantes, mas apresenta pouco da tradição que existia no passado.

 

Agostinho Barbosa, que foi um dos responsáveis pelo reaparecimento desta evento na década de 90 do século passado, hoje critica o rumo que o cortejo tem seguido, destacando a perda de rigor no bem trajar, a desagregação comunitária e a politização, afirmando que “o cortejo inicial acabou por se perder no tempo”

Segundo o mesmo, a principal falha desta tradição, nos últimos anos, tem sido a vontade de tornar o cortejo das flores num evento concentrado. Em 1993, fizeram parte deste evento 250 pessoas, com vontade de representarem com rigor a tradição que tanto lhes dizia, afirmando que esta edição “foi a melhor de todas”, com muita “pureza” envolvida.

 

Hoje, o cortejo que conta com milhares de pessoas mas que representa pouca ou nada da tradição que outrora se sentia e vivia, representando uma dicotomia em que a quantidade se sobrepõe à qualidade.

 

“Autarcas são também os principais responsáveis pela desvinculação do espírito que envolvia a tradição”

Para Agostinho Barbosa, os autarcas são também os principais responsáveis pela desvinculação do espírito que envolvia a tradição. Além de, hoje em dia, as freguesias serem identificadas pelas suas bandeiras em vez dos seus cantares, Agostinho realça também a vontade incisiva de os políticos e presidentes de junta desfilarem na frente do cortejo, com o único objetivo de “aparecerem na fotografia”, numa atitude oportunista e sem qualquer respeito pela tradição.

“Gostava de os ver pegar num traje, como eu pego”, refere.

Este antigo membro do Rancho Folclórico de Varziela defende ainda que o cortejo das flores ganharia muito mais se apostasse na qualidade e na autenticidade em detrimento da quantidade demonstrando o desejo de ver esta tradição regressar às suas origens, livre de palcos políticos.

Assinalou, também, que o cortejo deve voltar a ser um momento de pura partilha e envolvência comunitária, onde o rigor do bem trajar e os cantares nos remetem à genuína tradição, uma identidade que precisa ser mais vivida e sentida.

 

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