O jogo entre FC Lixa e Vila FC, a contar para a 5ª jornada da fase de apuramento de campeão da Divisão de Honra da Associação de Futebol do Porto (AFP), acabou mais cedo. Os gaienses decidiram abandonar o terreno de jogo por alegados insultos racistas. Os lixenses negam a situação e falam em “mau perder”.
A partida foi interrompida aos 87 minutos, depois do FC Lixa se ter colocado em vantagem no marcador (1-0), através de uma grande penalidade convertida por Rúben Moreira.
O Vila decidiu abandonar as quatro linhas, alegando que os adeptos locais proferiram insultos “de teor racista” ao defesa Kamelan Mamadou, o mesmo que provocou o penálti que permitiu ao Lixa apontar o único golo do desafio.
Em comunicado, a formação de Vila Nova de Gaia considera que, por isso, “não estavam reunidas as condições para a continuação do desafio” e que “não restou outra opção que não fosse abandonar o mesmo”.
“O Vila FC não tolera comportamentos deste tipo e sempre pautou o seu comportamento pelo respeito de todas as instituições e todos os seus atletas”, diz ainda a mesma nota.
O FC Lixa, também em comunicado, rejeitou as acusações e qualquer tipo de atitudes racistas por parte dos adeptos do clube.
“A 5 dias de completar 89 anos de existência, jamais na história do clube se assistiu a uma cabala como estamos a assistir esta temporada. Desenganem-se aqueles que pensam que nos intimidam com ameaças ou com atitudes como hoje assistimos em campo”, pode ler-se.
O emblema do concelho de Felgueiras assegura que vai “provar” junto da Associação de Futebol do Porto que “os últimos acontecimentos são totalmente falsos” e irá ainda exigir “que se tomem medidas drásticas a quem pretenda conseguir os seus objetivos das formas mais inaceitáveis”.
O técnico do FC Lixa, Domingos Cristiano, também se mostrou “incrédulo” com a atitude do Vila FC em abandonar o terreno de jogo, garantindo que a decisão foi “fomentada” pelo presidente e pelo treinador adversário.
“É difamatório aquilo que está a acontecer. O Lixa vai tomar todas as medidas e providências judiciais, se for necessário, para defender a sua honra e a sua integridade. Foi uma situação vergonhosa, que deixou todos os presentes, inclusive adeptos do Vila, incrédulos. Triste também a atitude intimidatória do presidente do Vila para alguns elementos do Lixa, a intimidar em relação à nossa vista ao recinto do Vila. Muitos jogadores do Vila queriam continuar o jogo, mas o presidente do Vila, assim como o treinador, não o quiseram”, acusou.
Domingos Cristiano assegura ainda que o “relatório do árbitro” não menciona qualquer caso de racismo e considera que a decisão do emblema gaiense mais não foi do que uma atitude “de quem não sabe perder”, num jogo em que o FC Lixa foi melhor e no qual até poderia ter obtido um resultado mais dilatado”. “O resultado não sofre contestação alguma”, sublinhou.
Com esta vitória, caso venha a ser promulgada pela AF Porto, o FC Lixa isola-se no topo da classificação e na luta pelo título de Campeão da Divisão de Honra, com 15 pontos, três de vantagem sobre o Vila.








