Na sessão de apresentação dos resultados do projeto BioShoes4All, realizada em Amarante, o governante destacou esta iniciativa como um exemplo da transformação que o setor está a realizar, através da aposta em biomateriais, sustentabilidade e inovação. Defendeu, contudo, que o maior desafio começa agora: converter o conhecimento desenvolvido em negócios, exportações e maior valor acrescentado para as empresas.

Projeto BioShoes4All mobilizou 70 entidades e representou um investimento de quase 60 milhões de euros
Castro Almeida sustentou que a internacionalização será determinante para reforçar a competitividade da indústria, considerando que o principal contributo do Estado passa pela promoção da marca Portugal e do calçado português nos mercados externos.
“Se houver negócio, não faltará dinheiro para comprar as máquinas. Não faz sentido precisarmos de ter máquinas se depois não tivermos negócio”, afirmou, defendendo que o investimento público deve privilegiar a criação de oportunidades comerciais para as empresas.
Ao longo da intervenção, o ministro reconheceu que o calçado continua a ser um setor particularmente exigente, marcado por forte concorrência internacional e reduzidas margens de rentabilidade. Ainda assim, elogiou a capacidade de adaptação e inovação demonstrada pelas empresas portuguesas.
O BioShoes4All, promovido pela APICCAPS e pelo Centro Tecnológico do Calçado de Portugal (CTCP), entra agora na reta final após três anos de desenvolvimento. Considerado pelos promotores como a maior iniciativa colaborativa alguma vez realizada na indústria portuguesa do calçado, o projeto envolveu um investimento global de quase 60 milhões de euros, financiado pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), e reuniu um consórcio de 70 entidades, entre empresas, universidades, centros tecnológicos e instituições de investigação.
O objetivo passou por preparar a indústria nacional para liderar a transição para uma economia mais verde, circular e baseada em recursos biológicos, culminando agora com a apresentação pública dos resultados alcançados.
continuidade dos consórcios criados no âmbito do BioShoes4All
Na parte final da intervenção, Castro Almeida alertou para um novo contexto no acesso aos fundos europeus. Com a União Europeia a direcionar uma parte crescente dos recursos para áreas como a defesa e a segurança, considerou que o financiamento destinado à competitividade será mais disputado e exigirá projetos de maior dimensão.
Nesse sentido, defendeu a continuidade dos consórcios criados no âmbito do BioShoes4All, considerando que apenas através da cooperação entre empresas, universidades e centros de investigação será possível captar financiamento europeu.
“Pequenas empresas, pequenas universidades e pequenos centros de investigação não vão lá sozinhos. A única solução é organizarem-se em consórcio, manterem esse consórcio em pé e candidatarem-se aos fundos da competitividade”, afirmou.
A concluir, o ministro manifestou confiança no futuro da indústria portuguesa do calçado, considerando que o BioShoes4All deixou uma base sólida para a próxima etapa de desenvolvimento do setor. O desafio, concluiu, será transformar a inovação alcançada em mais competitividade, exportações e crescimento económico.



