A associação que gere a Universidade Sénior de Penafiel acusa hoje a câmara municipal de pretender despejar a instituição do espaço que ocupa numa antiga escola da cidade, afetando 80 alunos que ali desenvolvem as suas atividades.
“Cerca de 80 alunos da Universidade Sénior, apoiados por um corpo docente voluntário, composto por 25 profissionais, vão ficar na “rua”, sem que se compreenda a racionalidade da decisão”, lê-se num comunicado da Associação para o Desenvolvimento Integrado, Sociocultural, Recreativo e Económico de Penafiel.
A associação assinala que a Universidade Sénior de Penafiel (USP) desenvolve atividades com dezenas de cidadãos seniores, “que ali encontram um espaço de aprendizagem e de estímulo pessoal e cognitivo”, considerando a cedência do edifício essencial para o seu funcionamento.
“NÃO FOI DADA QUALQUER EXPLICAÇÃO”
Lamenta-se, ainda, que a comunicação da autarquia tenha sido realizada por carta registada, “sem alternativas”, dando 30 dias para a universidade sair, prolongando depois para 60.
“Também não foi dada qualquer explicação”, acentua-se, indicando que a decisão do município interrompe uma cedência de 20 anos que se encontrava a meio do prazo.
Segundo a associação, a autarquia alega necessitar do edifício para colocar serviços municipais, o que é contestado por haver, alegadamente, outras alternativas.
Entretanto, acrescenta-se no comunicado, foi proposto pelo presidente da câmara um espaço alternativo para funcionamento da USP, situado em Novelas, localidade nos arredores da cidade. Contudo, para a associação, trata-se de um lugar “impróprio” devido à sua localização e morfologia, por estar situado numa pequena colina, com escadas e de difícil acesso, por isso inadequado para os idosos.
CÂMARA NEGA ACUSAÇÕES
Sobre esta matéria, a câmara informou, num esclarecimento enviado à Lusa, ser “absolutamente falso” que esteja a “despejar” a Universidade Sénior, observando que cedeu as instalações em 2014, “a nível precário”, com a possibilidade de reverter a cedência, em caso de necessidade.
A câmara decidiu e votou por unanimidade o fim do protocolo de cedência”, segundo a autarquia, uma decisão justificada pela necessidade de criar naquele espaço novos gabinetes de trabalho, “devido à sua centralidade para os inúmeros munícipes”.
O município entende, por outro lado, que as instalações alternativas sugeridas à associação, em Novelas, reúnem as condições necessárias, acrescentando haver disponibilidade para permitir à USP “terminar calmamente” o ano letivo antes da mudança de instalações.



