Pela primeira vez em quase duas décadas de história, o Escritaria — Festival Literário de Penafiel, deu um passo histórico ao realizar a apresentação da sua edição de 2026 na Assembleia da República, em Lisboa. O evento, que contou com a presença de deputados de diversos quadrantes políticos, serviu de palco para o anúncio da homenagem ao escritor timorense Luís Cardoso, consolidando o festival como um pilar da promoção da língua e da cultura portuguesa, tanto a nível nacional como internacional.
Um Festival na rua e no coração da cidadania apresentado na biblioteca do Parlamento
Pedro Cepeda, Presidente da Câmara Municipal de Penafiel, destacou a singularidade do Escritaria, um evento que, desde 2008, tem trazido a Penafiel grandes nomes da literatura de língua portuguesa, como Urbano Tavares Rodrigues, José Saramago ou Mia Couto, entre outros.
“O Escritaria não é apenas um festival literário que ocorre numa sala fechada, é um festival que é para todos os penafidelenses e para todos os que nos visitam”, afirmou Cepeda.

O evento de apresentação na Assembleia da República simboliza, para a autarquia, o reconhecimento da importância estratégica da cultura na promoção territorial.
“O Escritaria tem sido um instrumento de promoção territorial de Penafiel e do norte do país, mas ganhou também uma dimensão internacional”, acrescentou.

Com a internacionalização do festival, a obra do homenageado expande-se hoje por geografias tão diversas como o continente africano, a América do Sul e, agora, a Ásia, através da ligação umbilical com Timor-Leste.
Luís Cardoso: A Literatura como Resistência e Memória
A escolha de Luís Cardoso para homenageado da 19.ª edição foi unânime. Autor premiado e reconhecido internacionalmente, Cardoso viu a sua nomeação como uma ponte entre a resistência do seu povo e a universalidade da literatura.

Emocionado pelo regresso à Assembleia da República, local onde, durante anos, assumiu a resistência timorense, o autor sublinhou a ligação indelével entre a sua escrita e o percurso do seu país.
“A minha literatura tem sido fundamental para reconstruir essa história, para dar voz ao sofrimento do povo timorense e, sobretudo, para dar voz e para evidenciar a capacidade de um povo que sofreu durante muitos anos, mas que agora, encontro o seu caminho”, partilhou.

“O meu país teve uma história fantástica e precisa de uma literatura fantástica, que possa perpetuar essa luta”, afirmou, reconhecendo o apoio de Portugal no processo de afirmação democrática do seu país.
O Convite para outubro
O Escritaria 2026 promete, uma vez mais, invadir as ruas de Penafiel, entre 20 e 25 de outubro, com um programa que, como é tradição, incluirá intervenções de arte pública, conversas e o envolvimento direto da comunidade.
“É impossível, naqueles dias em Penafiel, andar na rua e não tropeçar numa frase do autor, não tropeçar numa palavra, não olhar para uma varanda e ver um posto gigante com a obra do autor”, concluiu Pedro Cepeda, deixando o convite aberto para a celebração que, este ano, coloca a língua portuguesa e a resistência timorense no centro do debate cultural em Penafiel.



