Paços de Ferreira, 11 abr (Lusa) – A introdução de portagens na ex-SCUT do Grande Porto (A41/A42) provocou um aumento de 180 por cento na principal estrada de Paços de Ferreira, revelou hoje à Lusa o presidente da câmara. Segundo Pedro Pinto (PSD), centenas de automobilistas fogem diariamente à autoestrada para não terem de pagar portagens, sobrecarregando a antiga EN 207, que liga ao Porto, mas também a ex-EN 209. Um estudo de tráfego da autarquia, realizado após a introdução de portagens, concluiu que é na zona de Seroa, uma das mais industrializadas do concelho, que mais aumentou o tráfego na ex-EN 207. No entanto, segundo o edil, todas as principais estradas do concelho sofreram um aumento significativo de tráfego, em média superior a 40 por cento. No município de Paços de Ferreira não há um único quilómetro de estrada nacional, porque as que existiam (EN 207 e EN 209) foram desclassificadas quando se construiu o IC25, mais tarde transformado em autoestrada em regime SCUT. O anúncio de Pedro Pinto ocorre no dia em que dados do Instituto das Infraestruturas Terrestres revelam uma diminuição de 43,25 por cento no tráfego médio diário na A42 após as portagens, o que se traduz em menos 10 mil veículos por dia. Em vários lanços desta autoestrada, a redução de circulação foi ainda mais significativa, ultrapassando os 50 por cento, destacando-se a ligação entre a variante à EN 106 e a A11. No caso da A42, a redução do tráfego médio diário foi ainda maior, ultrapassando os 47 por cento (menos 20833 veículos), com alguns lanços, nomeadamente entre Perafita e o aeroporto, a baixar mais de 50 por cento. O autarca de Paços de Ferreira diz não estar surpreendido com estes dados, lembrando que sempre defendeu que as portagens não representariam a receita que o Estado esperava. Pedro Pinto sublinha, por outro lado, que o Governo vai sofrer uma quebra significativa de receitas fiscais resultante do abrandamento da economia do concelho provocado pelas portagens. À Lusa deu como exemplo o facto de já quase não se verem espanhóis a comprar mobiliário em Paços de Ferreira. O edil anota, ainda, que a tutela e o município vão ter de suportar os custos da degradação das estradas nacionais e municipais e do aumento da sinistralidade. Também o autarca de Lousada, Jorge Magalhães, não se mostra surpreendido com os dados. À Lusa explicou que as pessoas e as empresas do concelho, confrontadas com a crise económica que afeta a região, evitam a autoestrada porque as portagens são dispendiosas. O edil chama também à atenção para os prejuízos causados nas redes nacional e municipal de estradas, as quais, sublinha, estão a suportar um aumento significativo de tráfego, incluindo nos centros das vilas e cidades. APM. Lusa/fim









