Presidente do Rebordosa diz que solução para a retoma da Divisão Elite nunca será consensual
O presidente do Rebordosa, Joaquim Barbosa, entende que, nesta altura, “é muito difícil” resolver a questão relacionada com a retoma da Divisão de Elite da Associação de Futebol do Porto (AFP). O dirigente considera que apesar de haver algumas soluções em cima da mesa, nenhuma será perfeita, nem do agrado de todos os clubes.
Uma das possibilidades aponta para o regresso da competição a meio ou no final de abril, e com a realização de dois jogos por semana, há quarta-feira e domingo. Joaquim Barbosa encontra vários obstáculos à concretização desta solução.
“Os profissionais queixam-se por jogar de três em três dias. Os amadores não podem fazer isso. Portante, não será por aí que podemos ir. Além disso, os campeonatos têm de terminar, pelo menos, no final de junho. É contra os regulamentos ir além desta data. Depois há atletas que habitualmente marcam as suas férias para finais de junho e julho”, argumenta.
Outra alternativa, que seria o recomeço da prova em abril e a sua conclusão após o final da primeira volta, possibilidade que está contemplada em regulamento, Joaquim Barbosa considera que “é uma solução que pode desvirtuar” a verdade desportiva do campeonato.
“Os clubes que não têm dinheiro e que não vão recomeçar por três ou quatro jogos. Podem fazer falta de comparência ou então podem jogar com juniores, e isso vai desvirtuar o campeonato”, explica.
Joaquim Barbosa teme ainda que a retoma da Divisão de Elite possa não acontecer, mas nesse caso reconhece que o Rebordosa “sente-se privilegiado” por estar em primeiro lugar e por ser o clube com mais pontos somados entre todos os participantes das duas séries do principal escalão da AF Porto.
“Se o campeonato não recomeçar, a Federação Portuguesa de Futebol (FPF) vai pedir às associações para nomear os clubes que as vão representar no Campeonato de Portugal. No caso da associação do Porto, por mérito, terá de ser o Rebordosa a ser indicado. Quer o campeonato recomece ou não, estou convencido de que o Rebordosa vai subir. Pelo menos estamos a lutar para isso”, confessa.
Sobre o novo fundo de apoio, anunciado pela FPF, e destinado a ajudar os clubes das provas distritais que foram obrigados a suspender a sua atividade, devido à pandemia da Covid-19, Joaquim Barbosa não se mostra entusiasmado.
Recorde-se que este programa de auxílio, com um valor global de 2,2 milhões de euros, terá uma parte a fundo perdido e outra a título de empréstimo a liquidar até à época 2024-25. Cada Associação receberá 15 mil euros, mais um valor variável por cada clube que se encontrava em ação em janeiro nas provas distritais.
O presidente do Rebordosa questiona “em que é que este apoio vai ajudar os clubes”.
“Os clubes vão receber o dinheiro, mas apenas uma parte é a fundo perdido e depois teremos de pagar o resto. Os clubes depois vão ter que devolver o dinheiro à federação e, se os clubes agora já têm pouca capacidade financeira, depois será pior. Estamos a entrar num abismo, porque os clubes não têm qualquer tipo receitas”, lamenta.
Na altura da paragem da Divisão de Elite AF Porto, o Rebordosa liderava a série 2, com 33 pontos, dispondo de seis de vantagem sobre Sousense e Alpendorada, os mais diretos perseguidores.
