O presidente da distrital do Porto do PS defendeu hoje a criação de uma Estrutura de Missão para o Tâmega e Sousa, para que a região “deixe de marcar passo” em vários indicadores no contexto do país.
“Defendo uma Estrutura de Missão que execute um programa, que se crie uma estrutura supramunicipal que tenha o poder e as ferramentas para executar e investir no território em matérias que são transversais a diversos municípios”, afirmou Nuno Araújo, em declarações à nossa redação.
“Nós temos mesmo de mudar, de uma vez por todas, e transformar esta região”, reforçou, observando que, passados 50 anos de democracia, passadas décadas de fundos comunitários, “a região continua a marcar passo em múltiplos indicadores, como o Produto Interno Bruto (PIB), as taxas de desemprego e o salário médio”.

No sábado, num evento partidário promovido em Lousada pela Federação do PS, Nuno Araújo sensibilizou o secretário-geral Pedro Nuno Santos, que presidiu ao encerramento dos trabalhos, para os problemas do território que se arrastam há décadas.
Na sessão foram exibidos indicadores oficiais que colocam o Tâmega e Sousa entre as regiões do país com piores indicadores, nomeadamente ao nível do rendimento, apesar de ser uma das mais industrializadas e povoadas.
Para o dirigente socialista distrital, “diagnósticos já há bastantes” e sabe-se “quais são os problemas desta região, que continua a apresentar indicadores que não se justificam”.
“Os sucessivos governos deste país são centralistas”
Questionado sobre o que explica estes indicadores, respondeu que a responsabilidade também é dos políticos, dos vários partidos e dos vários governos.
“Os sucessivos governos deste país são centralistas. Tem-se tornado mais fácil que esses investimentos aconteçam mais a Sul do país. É um país inclinado para o litoral e para o Sul”, frisou.
Nuno Araújo admite que não haver regionalização é também um motivo para este território marcar passo.
“Mas não queremos esperar mais uma década para que a regionalização aconteça. Ela não acontece, porque não há condições políticas para a concretizar, por mais que o PS a defenda”, anotou, acrescentando: “Não havendo condições políticas para a concretizar, eu não quero continuar à espera. Agora é o momento de criarmos essa Estrutura de Missão que possa concretizar os anseios desta população”.
Nuno Araújo alude ao contexto da reindustrialização da Europa, como uma oportunidade para o território.
“Para nós, o objetivo é claro, aproveitar essa reindustrialização, aproveitando fundos comunitários, como o Programa 2030, para puxar pelo território, acrescentando valor, e para isso é apostar nas qualificações”.
“Este é um território que está sempre a ser sangrado de capital humano”
Três mil milhões de euros é valor de referência que o líder distrital aponta como um pacote financeiro que poderá suportar a Estrutura de Missão, “tenha ela o modelo que tiver”.
“Este é um território que está sempre a ser sangrado de capital humano, de pessoas, de trabalhadores muito competentes que se qualificam, que estudam, mas depois não se conseguem realizar no seu território”, recordou ainda.
“Não é um problema de dinheiro”
O líder da Federação do Porto do PS reclama para o Tâmega e Sousa estruturas tecnológicas e de ensino superior para que determinado tipo de indústrias possa escolher o território para se instalar.
“Nós temos infraestruturas prometidas há 30 anos e que teimam em não ser concretizadas, como os casos do IC35 e questões relacionadas com a ferrovia no Vale do Sousa e no Baixo Tâmega, que urge concretizar”, acrescentou.
Dando como exemplo a Estrutura de Missão que existiu no passado para a região vizinha do Vale do Ave, Nuno Araújo remata que, face ao quadro conhecido, os políticos têm esta obrigação de, uma vez por todas, “transformar este território”.
“Não é um problema de dinheiro. Há fundos comunitários disponíveis, mas é preciso haver vontade política para o concretizar”, concluiu.

